Sem perspectivas para a completa imunização dos cidadãos contra a Covid-19, o Brasil, pela primeira vez na história, não terá a grande festa de Momo, em 2021, o internacionalmente cultuado “Carnaval”. Nem os desfiles das Escolas de Samba, nem os suntuosos trios elétricos, nem os blocos de carnaval de rua. O feriado que acompanha a data, claro, foi cancelado. Em São Paulo, a prefeitura suspendeu o ponto facultativo.

A festa que teria início, nesta sexta, 12/2, com os desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial, em São Paulo, foi adiada, a princípio, para junho. Isso, se o presidente Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória, cumprirem o que prometeram. Até agora, sem controle, sem planejamento, sem compra de vacinas suficientes e com desvios de ampolas em alguns locais de vacinação, a data para a festa pode ser adiada novamente.

Restou, por tanto, ao folião, curtir o Carnaval on-line. E aí, novamente aparecem as “autoridades” para atrapalhar a festa popular. A burocracia, o descaso e a elitização da festa darão o tom. O Carnaval de Rua em São Paulo, por exemplo, que teve a participação de mais de 578 blocos em fevereiro de 2020, este ano, será para poucos e para a elite da elite. Explico.

A Secretaria Municipal da Cultura decidiu promover este ano, devido à pandemia, o Carnaval on-line. Criou um Festival de “lives”, chamado “Tô Me Guardando”, que realizará atividades, vivências e apresentações de blocos de ruas e figuras do Carnaval paulistano a ser transmitido pela internet, entre os dias 12 a 28 de fevereiro. De acordo com o Secretário de Cultura, Alê Youssef, “as oficinas, apresentações e vivências do Festival serão para fomentar a cidade para um futuro Carnaval”. A retórica valeria se o secretário não tivesse aberto a inscrição para o Edital, responsável por essas atividades no dia 28 de janeiro e encerrado, no dia 4 de fevereiro (uma semana), ter excluído aqueles que organizam o Carnaval de Rua das reuniões, e ter limitado a apenas 300 inscrições (sendo 100 apresentações de blocos e 200 para a realização de bate-papos sobre o carnaval). E, para tirar um dez, cada contemplado receberá, de acordo como o Edital, míseros R$ 3 mil, o que não paga músicos, equipamentos diversos e a infraestrutura de uma “live” desse porte.

De acordo ainda com o Edital, cada bloco será responsável pela produção e transmissão de suas apresentações de forma gratuita. Existem 786 blocos cadastrados na Prefeitura.

Conclusão, apenas 153 blocos preencheram os formulários do Edital.

Segundo declarou à coluna “Direto da Fonte”, da jornalista Sonia Racy, a integrante da Comissão Feminina do Carnaval de Rua de São Paulo, Thaís Haliski, os blocos de Carnaval de Rua não têm as mínimas chances de arcarem com os custos e a verba destinada para a realização das “lives” é muito pouca para viabilizar uma apresentação de qualidade. “Como juntar, pelo menos, oito músicos e equipe técnica com essa verba?”, questiona

Na mesma coluna, o representante do Fórum dos Blocos de Rua de São Paulo, Zé Cury, que reúnem, aproximadamente, 160 blocos, reclama do curtíssimo tempo de apenas sete dias para as inscrições. “A iniciativa teria sido mais válida se a Prefeitura tivesse consultado quem conhece a realidade e faz o Carnaval, antes de publicar o Edital”, disse.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes, destinou R$ 3 milhões para o Carnaval virtual carioca. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, apenas R$ 500 mil.

Consultada, a Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo limitou-se a dizer que os “valores pagos estão de acordo com os outros eventos semelhantes realizados pela pasta”.

 

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