Nada de relevante é feito às pressas na China. Seus dirigentes não fazem planejamentos voltados para o curto prazo e, deste modo, o Estado Chinês vem construindo sua bem sucedida trajetória para se tornar a maior Economia do mundo. A partir da decisão de abrir a Economia deste país asiático para o capitalismo, com forte direcionamento e controle estatal – criando o que os especialistas chamam de “capitalismo de estado” ou “socialismo de mercado”, o futuro já estava traçado.

O crescimento econômico vinha ocorrendo de forma acelerada nas últimas décadas, mas não apresentava uma grande ameaça às Economias já estabelecidas da Europa e Estados Unidos da América, visto que a base desse crescimento ainda era insólita – porque o ponto inicial era uma Economia fraca. O que aparentemente levaria mais tempo, acabou sendo acelerado pelo bom desempenho do Governo ao enfrentar as duas últimas crises pelas quais passaram. Tanto na Crise Econômica de 2008 quanto nos problemas decorrentes da Covid-19 neste ano que passou, as Economias pelo mundo foram fortemente abaladas e demoraram para se recuperar, enquanto a chinesa se mostrou resiliente a esses desafios.

Agora, a previsão de que a China se tornará a maior Economia do mundo foi adiantada. Se antes de 2020 a previsão era de que os EUA seriam ultrapassados em 2033, hoje as projeções apontam para o ano de 2028. Vendo seu eminente sucesso em se tornar a primeira Economia do mundo o Governo chinês já se movimenta para corrigir o que considera um dos pontos fracos de seu projeto de crescimento.

Este é um dos segredos da China. Antes que um problema se apresente já existe uma solução em andamento. Boa parte da produção industrial hoje é feita, pelo menos parcialmente, em território chinês. Definitivamente, a cadeia global de produção e trocas de mercadorias passa por esse país.

Deste modo, existe uma forte preocupação em manter a China abastecida de matérias primas ou do que hoje chamamos de commodities, garantido suprimentos para a população e a continuação da cadeia de produção. O medo é de que potências estrangeiras consigam prejudicar a Economia ao cortar ou encarecer insumos necessários para manter a gigantesca produção. Um exemplo disso é a produção de aço – fundamental para economia chinesa – e dependente do fornecimento de minérios de ferro vindos da Austrália e Brasil – 70% desse minério importado pela China é proveniente desses dois países. Para não continuar com essa dependência, o Governo projeta ampliar nos próximos 5 anos as importações de minério de ferro de diferentes países para 40% através de mineradoras estatais, o que permitirá um controle maior desta cadeia de produção e uma maior segurança para a indústria chinesa.

É com esse nível de planejamento e precaução que podemos confiar na continuidade do progresso chinês nos próximos anos e, com isso, o mercado mundial tende a ficar cada vez mais tensionado pelas disputas comerciais das duais maiores potencias: EUA e China.

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