A economia brasileira, que já dava sinais de desgaste antes da pandemia, agora, apresenta uma situação crítica. Mesmo com a reabertura do comércio – que deve levar a um crescimento do terceiro trimestre – e com o auxílio emergencial, responsável por evitar um colapso, este ano ainda terá perdas gigantescas que podem ser agravadas por uma segunda onda de Covid-19 e o fim do auxílio emergencial.

Ou seja, em 2021 a prioridade será a reorganização da economia brasileira. Como desafios, teremos um aumento significativo da dívida pública, as incertezas que rondam o controle da inflação, uma taxa de desemprego que pode subir para próximo de 20% e um desaquecimento da economia devido ao fim do auxílio emergencial.

A situação parece difícil de resolver, mas a Argentina apontou um caminho, ao aprovar em seu Congresso, nesta madrugada de 18 de novembro, o imposto sobre grandes fortunas, cobrando de 2% a 3,5% em patrimônios superiores a 200 milhões de pesos (R$ 12,5 milhões). Fica faltando a aprovação pelo Senado.

Não será possível reverter esse quadro calamitoso da nossa economia em investimentos públicos. O ano de 2021 não será de crescimento robusto ou de geração de empregos sem que o Estado se responsabilize por investimentos em infraestrutura e gastos sociais. Com a explosão da dívida pública em 2020, a única forma de financiar esses investimentos é através de nova arrecadação, ou seja, um novo imposto.

O Governo Bolsonaro parece já ter percebido isso, porém não está disposto a comprar essa briga, preferindo – até o momento – tentar ressuscitar impostos como a CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, que incide sobre a sociedade como um todo, prejudicando quem já está sofrendo com a crise econômica.

Como já é de conhecimento geral, o Brasil tem sua carga tributária estabelecida de uma maneira que faz com que as classes médias e baixas contribuam imensamente mais com impostos do que as classes mais altas, tornando óbvia a escolha de taxar o imposto de grandes fortunas como forma de alavancar a economia com investimentos públicos.

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