Mesmo antes da pandemia, o Brasil já contava com uma alta taxa de desempregados; 11,9%, em janeiro de 2020, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística. A Reforma Trabalhista não criou os empregos prometidos e a pandemia surgiu como uma tempestade diante de um navio que já estava naufragando.

Por estarmos em uma situação frágil, a preocupação em preservar emprego e renda deveria ter sido prioridade. É sabido que a melhor forma de agir para preservar a economia, com o início da pandemia, era a adoção de medidas sanitárias assertivas, como pudemos observar em outros países. O fechamento das fronteiras, a testagem em massa e o isolamento social rígido foram posturas definitivas para possibilitar uma recuperação econômica após o controle da propagação do vírus em países como Japão, Coreia do Sul e China.

Quando não conseguimos ser competentes, do ponto de vista das medidas sanitárias, as ações econômicas ganham uma relevância ainda maior. Pressionados por amplos setores da sociedade, em especial pelo Congresso, o governo federal aprovou algumas medidas com o objetivo de proteger a economia de um colapso.

Essas medidas giraram em torno da liberação de crédito e pagamento de auxílios. Ambas as ações foram amplamente utilizadas no mundo e foram fundamentais para manter a economia girando. Mas, no Brasil, como essas ações não partiram do Executivo e foram praticamente impostas a ele, houve uma nítida protelação das medidas, o que, somado ao descaso com as medidas sanitárias, não permitiu que essas medidas fossem plenamente aproveitadas.

No caso da liberação de crédito, além da ação ter sido protelada pelo governo, a sua efetividade também foi prejudicada pelo fato da liberação ter sido feita através de bancos privados. Esses dois problemas fizeram com que o crédito chegasse atrasado ou, até mesmo, não chegasse para pequenos e médios empresários, já que os bancos tinham interesse em liberar seus próprios créditos a juros maiores.

Já o auxílio emergencial de 2020, embora também tenha sido liberado com algum atraso e, deste modo, fez com que muitas famílias tenham ficado “descobertas” financeiramente no início da pandemia e da quarentena, no decorrer do ano se mostrou a medida mais correta para proteger a economia. Com a pandemia, a previsão de queda do PIB chegou a girar em torno de 8%, mas acabou ficando em 4,1%, sendo o auxílio emergencial o principal fator que impediu uma queda maior. Esta política foi tão acertada que analistas acreditam que os R$500 bilhões gastos com o auxílio são exatamente os mesmos 500 bilhões que a economia brasileira não regrediu ao não ter tido uma queda de aproximadamente 8%.

Deste modo, o que faltou para preservar empregos no Brasil não foi uma questão “do que não foi feito” e sim “do que poderia ter sido feito” de modo mais rápido e assertivo com uma coordenação nacional, o que não ocorreu. As devidas medidas sanitárias e a liberação de crédito para pequenos e médios empresários, somadas ao auxílio emergencial, sendo a mais efetiva das ações, poderiam ter protegido milhares de empregos, propiciando uma recuperação econômica mais rápida e uma queda do PIB menos acentuada.

 

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