São Paulo, a capital econômica do Brasil, já foi chamada também de “túmulo do samba”. Engana-se quem pensa assim. Tanto os desfiles das Escolas de Samba no Sambódromo do Anhembi, quanto as centenas de Blocos de Carnaval de Rua, ao longo dos anos, ganharam uma grandiosidade imensa, transformando o carnaval de São Paulo em um dos maiores eventos culturais do País, atraindo milhões de turistas e recursos para a cidade. A busca pela diversão com muita gente fantasiada e por ritmos musicais variados, a cada ano que passa, aumenta ainda mais.

O Carnaval é uma festa popular e comemorada em grande parte do mundo. No entanto, é no Brasil, que a festa ganhou maior expressão.

Origens

O Carnaval tem sua origem na Antiguidade. Naquele tempo, as pessoas reverenciavam os seus deuses e, por um átimo de tempo, a ordem social era alterada: os escravos e servos assumiam os lugares dos senhores e a população aproveitava para se divertir. Daí a ideia de, no Carnaval, a mudança de identidade ser permitida; o pobre virar rico, o homem virar mulher e vice-versa. A festa, que não fosse a pandemia do Coronavírus estaria se iniciando hoje, também é comemorada nas cidades de Veneza (Itália), Nice (França), Nova Orleans (EUA), Ilhas Canárias (Espanha), Oruro (Bolívia) e Barranquilla (Colômbia), entre outras.

No Brasil

O Carnaval chegou ao Brasil no período colonial, já no século XVII. Pode-se dizer que uma das primeiras manifestações foi o “Entrudo”, uma brincadeira trazida pela Corte portuguesa, quando numa determinada época do ano, as pessoas saíam às ruas com a intensão de sujar com lama ou com água perfumada (ou nem tanto) as outras pessoas, e a festa acontecia. O “Entrudo” foi fortemente reprimido pela ação do governo e por uma campanha intensa da imprensa da época, que não gostaram de ver o povo tomando conta das ruas da cidade. A brincadeira foi proibida oficialmente, em 1841. Mas, perdurou até o final do século XX.

A palavra Carnaval vem do Latim (Carnis Levale), que significa “retirar a carne”, “afastar-se da carne” e fala sobre o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma. E também era um modo da Igreja Católica controlar os prazeres dos seus fiéis. Ledo engano.

Com o passar do tempo, o Carnaval adquiriu outras formas de manifestação. Enquanto o povo era proibido de realizar o “Entrudo”, a Corte portuguesa criou os bailes de máscaras nos clubes (a máscara era usada para que o membro da elite não fosse identificado), quando se tocava as polcas. Ao mesmo tempo, a elite do Rio de Janeiro criava o Congresso das Sumidades Carnavalescas, para desfilar nas ruas da cidade.

Mais tarde, já no final do século XIX e início do século XX, o samba, manifestação cultural africana, populariza-se e ganha força junto ao povo. Surgem os primeiros grupos carnavalescos.

Ao longo do século XX, o Carnaval conhece uma diversidade de formas de realização, tanto da elite, quanto das classes populares.

Em São Paulo, a primeira organização popular que se tem registro para brincar o Carnaval é o “Grupo Carnavalesco Barra Funda”, fundado em 1914; um “cordão” que saía pelas ruas do bairro. No Rio de Janeiro, a primeira Escola de Samba “Deixa Falar”, foi fundada em 1928, e deu origem à escola Estácio de Sá. A segunda, “Vai como Pode”, deu origem à Portela.

A primeira Escola de Samba de São Paulo surgiu em 1935, com o nome de “Escola de Samba Primeira de São Paulo”. Dois anos mais tarde, surge em 1937, o Escola de Samba Lavapés, no bairro do Glicério, que perdurou até 1977.

Os desfiles das escolas de samba só vieram a acontecer em São Paulo, em 1968, na Avenida São João. Em 1971, o desfile mudou-se para a Avenida Tiradentes. Em 1991, os desfiles foram definitivamente transferidos para o Anhembi, na Zona Norte, com a inauguração do Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo, popularmente conhecido como Sambódromo Grande Otelo, na gestão da Prefeita Luiza Erundina, na época filiada ao PT. A região foi escolhida para sediar a realização dos desfiles, devido a maioria das escolas de samba de São Paulo, à época, serem da Zona Norte:

Mocidade Alegre, Unidos da Vila Maria, Acadêmicos do Tucuruvi, Unidos do Peruche, Império da Casa Verde, Rosas de Ouro e X-9 Paulistana.

Blocos de Rua

O Carnaval, como manifestação popular, também se expressa espontaneamente. Os chamados blocos de carnavais sempre existiram. Consta que o primeiro “desfile” de blocos em São Paulo aconteceu em 1930, na Rua Líbero Badaró e no Largo de São Francisco, no Centro da Cidade. Ao longo dos anos, vários blocos de carnaval destacaram-se tanto que se transformaram em Escolas de Samba, como a Mocidade Alegre, a Gaviões da Fiel e Mancha Verde.

No entanto, os blocos começaram a tomar importância e a crescer quando na gestão do Prefeito Fernando Haddad, do PT, iniciou-se o cadastramento dos blocos de rua, com apoio, infraestrutura e recursos financeiros para transformar o Carnaval de Rua de São Paulo uma dos mais cultuados do País.

Em 2020, 575 blocos de rua fizeram 615 desfiles, tocando marchinhas, funk, samba, pagode, sertanejo, axé e muitos outros ritmos próprios do Carnaval. O Fórum dos Blocos de Carnaval de Rua representa, aproximadamente, 200 blocos em São Paulo.

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