Há muito tempo que ouvimos falar das tais “moedas digitais”. A mais famosa delas é o “Bitcoin”, responsável por fazer verdadeiras fortunas. Como sempre, economia e política misturando-se pela história e no futuro dessa nova relação monetária.

Depois de consolidados os acordos de Bretton Woods (quando se definiram, em julho de 1944, as regras para as relações comerciais e financeiras entre os países mais industrializados do mundo), os EUA se consolidaram como privilegiados nas relações financeiras internacionais ao colocar o “Dólar”, moeda norte-americana, como a mais forte do Sistema Monetário Internacional. Os EUAs foram guindados à posição de destaque e de controle do comércio internacional.

As “criptomoedas” vêm na contramão dessa “hegemonia” do dólar, ao possibilitarem transações internacionais que não passam, necessariamente, por controles estatais. Muito embora, essa margem de ação venha se estreitando, conforme o avanço da incorporação das moedas digitais pelas bolsas de valores do mundo.

Dessa forma, os governos ao trabalharem nesse novo formato, as “criptmoedas” perderam a autonomia que tinham diante do mercado convencional. No entanto, essa ação possibilita novas utilidades para as moedas digitais. Um caso bastante conhecido é o da moeda digital “Petro”, idealizada pelo governo venezuelano para contornar os embargos econômicos impostos pelos EUA. Neste caso, a criptomoeda foi usada como um mecanismo de defesa por um país castigado por não poder comercializar em dólar. No entanto, mesmo o “Petro” lastreado ao preço do barril do petróleo, a economia fraca da Venezuela e a permanência dos embargos econômicos, não permitem aferir a capacidade de se contornar as transações em dólar por essa experiência.

Mas, essa possibilidade existe e deixa os EUA de cabelo em pé. Se a economia da Venezuela não conseguiu fazer a sua criptomoeda engrenar, talvez a economia chinesa somada à influência política da Rússia, possa.

As recentes investidas dos EUA contra interesses políticos da Rússia no Leste Europeu e contra o crescimento econômico chinês fizeram com que esses países se juntassem para se opor à hegemonia estadunidense, tendo como primeiro passo a substituição do dólar nas transações econômicas internacionais.

Com as relações cambiais e comerciais sendo escolhidas como o campo de batalha dessa nova versão de “Guerra Fria”, as atenções se voltam para a nova “arma” que está sendo desenvolvida pela China: o Yuan Digital. A nova moeda foi distribuída, inicialmente, para seis grandes bancos estatais para ser, posteriormente, distribuída aos bancos menores, até chegar aos cidadãos. Cerca de 100 mil chineses participarão dessa primeira fase experimental.

O uso do Yuan Digital será inovador. Será usado por aplicativos como o WeChat (uma mistura de WhatsApp e do Pix brasileiro), que permite a transferência de recursos pelo aplicativo.

A China, portanto, está propondo ao mundo uma moeda que, não só possa substituir as moedas físicas, como também o dólar no comércio internacional. Não é à toa que banqueiros e economistas estadunidenses estão recorrendo ao governo para alertar como essa empreitada chinesa pode colocar em risco o sistema financeiro norte-americano e seu hegemonismo no mundo.

Nesta “nova corrida armamentista” parece que os chineses saíram na frente e cabe ao mundo observar os próximos passos.

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