O governo chinês deixou bastante claro, na semana passada, que está disposto a ampliar as relações comerciais da China com o mundo ao anunciar a Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês).

O acordo envolve 15 países – alguns deles com economias bem desenvolvidas e inseridas no mercado global como o Japão e a Coreia do Sul. É simbólico que este acordo seja fechado ao término do mandato de Donald Trump já que, a saída dos EUA do acordo, permitiu a entrada da China.

Os ganhos financeiros, evidentemente, são de médio a longo prazos. No entanto, não é só essa questão que coloca os EUA em uma posição frágil, que não se via desde a crise de 1929. O comportamento da China e dos EUA no controle da pandemia terão um impacto brutal na economia.

É importante elogiar a China nesta questão. Vale ressaltar que todos os países que conseguiram enfrentar a pandemia com sucesso, caso do Vietnã, Uruguai e Coreia do Sul, entre outros, tiveram como peça chave a restrição da entrada de estrangeiros (vindos de regiões de alta contaminação) e políticas de saúde pública que determinaram o distanciamento social e a testagem para o SarsCov em massa. A combinação desses fatores garantiu o sucesso desses países no combate à doença até o momento.

Mas o desafio da China foi muito maior. Por ser o primeiro país a ter que enfrentar o problema, não houve a possibilidade de impedir a doença de entrar – quando se percebeu o problema, milhares de chineses já estavam contaminados em quase todas as regiões do território. Por esse motivo, foi necessário um esforço muito maior, no qual toda a economia foi parada para que houvesse uma quarentena rígida – impensável para a maioria dos países.

E, do ponto de vista econômico, o resultado valeu a pena. O sucesso da quarentena chinesa permitiu que a economia voltasse a crescer mais rapidamente do que nos outros países e impediu uma catástrofe de saúde ainda maior, salvando milhares de vidas.

EUA

No caso dos EUA, o Sistema de Saúde e o setor econômico não conseguiram fazer frente à pandemia, deixando o último ano da gestão Trump com os amargos números de uma recessão econômica e com o maior número de mortos por Covid-19 do mundo.

Além de números negativos na economia, do ponto de vista militar, Trump também enfraqueceu os EUA. Abalou a confiança na OTAM ao não garantir tropas americanas no Leste Europeu e não interferiu na Ucrânia, permitindo que a Rússia se consolidasse na região.

Esta semana, Trump também anunciou a retirada de mais tropas do Iraque e Afeganistão, o que – no caso do Afeganistão – é praticamente assumir a derrota, já que o Talibã tende a exercer novamente o controle neste país. Já no Iraque, os EUA se retiram, após as intervenções militares contra alvos iranianos em território iraquiano terem aproximado esses dois países contra os EUA.

Também foi no Governo Trump que Bashar al-Assad com seus aliados russos e iranianos conseguiram consolidar o domínio sobre a maior parte do território sírio, derrotando o Estado Islâmico e os aliados dos EUA.

Colecionando problemas econômicos e fracassos militares, Trump também enfraquece os EUA apostando na radicalização da sociedade, basta lembrar dos enfrentamentos armados entre apoiadores de Trump e manifestantes por direitos civis da população afro-americana.

Deste modo, Trump deixa a presidência, mesmo que de forma relutante, com um legado negativo em todas as esferas em que atuou: derrotas militares, desgastes com países aliados, crise econômica e enfraquecimento das instituições americanas.

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