O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o são-paulino Rogério Caboclo, subiu o tom numa conversa com os presidentes de clubes de futebol, durante reunião virtual realizada no último dia 10 de março e, de forma autoritária, deixou clara a sua intenção de não paralisar os campeonatos estaduais, mesmo neste momento em que a pandemia do coronavírus está mais letal.

No vídeo, divulgado com exclusividade pelo jornalista Venê Casagrande, do jornal “O Dia”, do Rio de Janeiro, Coboclo, com voz baixa, pausada mas com elevado tom ríspido e ameaçador, diz que não vai parar o futebol. “Por gentileza, vamos pensar: nós podemos parar o futebol? A Rede Globo não quer. Ninguém quer, seus patrocinadores não querem. E se parar, sabe quando nós temos a segurança de dizer que a gente pode voltar? Nunca. Eu vou mandar no futebol brasileira e vou determinar que vai ter competição e que você estão f...se não tiver”, diz.

Nenhum presidente de clube presente na reunião contestou a fala de Cabloco. Nem a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, nem os patrocinadores que investem no futebol responderam ainda se querem mesmo a continuidade das competições nesse momento, como afirmou Caboclo. O ex-jogador e comentarista da Globo, Walter Casagrande, disse que “enquanto Jair Bolsonaro envergonha o país na parte política, o presidente da CBF envergonha o futebol brasileiro. Com ele não vamos perder de 7 a 1, vamos perder de 20 a 0. É uma vergonha o que esses caras estão fazendo. É uma falta de respeito e uma falta de solidariedade", pontuou o ídolo do Corinthians.

O posicionamento e a postura do cartola no decorrer da reunião virtual, foram carregados de argumentos fascistas, pois de forma antidemocrática, colocou os interesses comerciais em conluio com grandes empresas, acima do risco de contagio da Covid-19, ou seja, acima da vida.

Ao declarar seu posicionamento favorável à continuidade dos jogos, Rogerio Caboclo ignorou o surto de Covid-19 acometido na equipe do Marilia (SP) que, por exemplo, em jogo válido pela Copa do Brasil, quando precisou viajar dois mil quilômetros de ônibus, por três estados, em 48 horas, o que resultou em 16 casos positivos para Covid-19. Alguns com sintomas moderados e outros com necessidades de tratamento médico.

Não podemos esquecer que a primeira função do esporte é a promoção da saúde. Mas, infelizmente, esta postura de desmando e subserviência, prova que estão utilizando o futebol para propagar a Covid-19 e concretizar interesses financeiros.

A nossa guerra não é só contra o virus, mas também contra o fascismo e o negacionismo, que também está presente no esporte. Nesta guerra o Brasil perdeu, em um ano, 300 mil vidas. Na segunda guerra mundial, os EUA perderam 291.557 soldados no decorrer de quase quatro anos.

O CCN Notícias se soma àqueles que também acreditam: o futebol precisa parar!

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