O escritor Paulo Coelho (perseguido e torturado pela ditadura militar no início dos anos 1970) ofereceu, em suas redes sociais, um valor de R$ 145 mil para cobrir, por meio de sua fundação, gastos do Festival de Jazz do Capão, na Chapada Diamantina, na Bahia. O evento foi barrado na Lei Rouanet após parecer técnico (da Funarte, do secretário Mário Frias - num texto carregado de frases 'religiosas') que apontou como negativo o explícito caráter 'antifascista e pela democracia' do festival.

Paulo Coelho, por não conhecer ninguém diretamente ligado ao evento censurado, postou nas redes sociais seu apoio ao festival, pedindo para que seus organizadores entrem em contato: "A Fundação Coelho & Oiticica (dele e de sua mulher, a artista plástica Christina Oiticica) se oferece para cobrir os gastos do Festival do Capão, solicitados via Lei Rouanet. Única condição: que seja antifascista e pela democracia".

Parabéns, Paulo Coelho.

Sobre a baboseira fascista dos bolsonaristas de insistirem em contrariar as premissas do Estado laico, dizendo governar em nome de alguma religião (no caso, alguma "terrivelmente evangélica"), Paulo Coelho afirmou:

“O perigo agora é que tudo é em nome de Deus. Essas pessoas se dizem cidadãos do bem e tudo o que elas querem é espalhar o ódio, o desamor. Estão fazendo da religião uma arma de opressão. E isso já aconteceu no passado. Mas não estamos mais na Idade Média.”

À declaração de Mario Frias, "que façam evento político/ideológico com seu dinheiro!”, Paulo Coelho respondeu: “Que primarismo... Faço com todo o prazer. Eles entendem tão pouco da Lei Rouanet... A Rouanet não é o governo que está desembolsando. Toda hora aparece um ‘acabou a mamata’. Porra, pelo amor de Deus!”.

E eu concluo: quem botou esses fascistas no poder, hein? Precisamos tirá-los de lá urgentemente. #forabolsonaro

Autor
Arnaldo Afonso é jornalista, responsável pelo blog “Sarau, Luau e o Escambau” e um dos organizadores do “Sarau da Maria”.