Como pudemos perceber no nosso bolso, o preço dos alimentos vem subindo nos últimos meses – o que não sabemos é o quanto esse aumento vai se manter. Existem três fatores que podem explicar a inflação sentida na mesa do brasileiro.

O governo dá ênfase ao auxílio emergencial como responsável pela inflação, alegando com uma explicação simplista que com mais dinheiro disponível às famílias de baixa renda seria natural o aumento dos preços, mas neste argumento se esquece de citar a desvalorização do real e o aumento das demandas por produtos agrícolas vindo da China que, quando combinados, tornam mais vantajoso para os produtores vender seus produtos no mercado internacional.

Com o fim do auxílio emergencial, é esperado mais um tombo da economia para o primeiro trimestre de 2021. Sendo assim, é possível esperar uma diminuição da pressão da inflação nos alimentos já que a renda do brasileiro vai diminuir. Outro fator que vem pressionando os preços, mas que tende a se normalizar, é a demanda chinesa por produtos agrícolas.

A incógnita então é o dólar, que não dá sinais de desvalorização e pressiona os preços de duas formas: ele estimula a venda de nossos produtos para fora e não para o mercado interno e eleva o custo de produtos importados como o é o caso do trigo, que afeta diretamente o preço dos pães, tradicional item de consumo diário.

A persistência da alta do dólar deve, no mínimo, manter os preços de boa parte dos alimentos em patamares elevados, mesmo com o fim do auxílio emergencial. Esta projeção é muito ruim, principalmente para as famílias mais pobres que sem o auxílio vão se deparar com alimentos mais caros e escassos recursos financeiros. 

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