A ditadura do General Augusto Pinochet, instaurada após o golpe militar no Chile, em 1973, e a sua nefasta Constituição de 1980 foram enterradas, definitivamente, neste domingo, 25 de outubro.

Mais de 14 milhões de pessoas foram às urnas para participarem do plebiscito que decidiu por 79% a 21% dar um fim a uma Constituição que retirou todos os direitos trabalhistas do povo, impediu sua aposentadoria, privatizou todas as empresas estatais, demitiu em massa e, pior, assassinou milhares de opositores ao regime. A Constituição de Pinochet era o principal sustentáculo das bases políticas e econômicas do neoliberalismo que aprofundou desigualdades e é, em sua essência, injusto e perverso contra o povo. Políticas que o governo Bolsonaro adotou e leva à ferro e fogo.

O plebiscito só foi possível de se realizar depois da onda de sucessivos protestos gigantescos em todo país que ocorreram em 2019. O presidente conservador Sebastián Piñera não suportou a pressão e se viu obrigado a organizá-lo. Inicialmente, o plebiscito estava marcado para abril, mas foi necessário cancelá-lo devido à pandemia do coronavírus.

Agora, os chilenos irão votar pela formação de uma Comissão Constitucional totalmente nova para compor a Assembleia Constituinte que vai elaborar a nova Carta Magna do País. Em seguida, os chilenos decidirão em outro plebiscito se adotam ou não a nova Constituição.

Após o anúncio da vitória da democracia, milhares de chilenos saíram às ruas da Capital Santiago para comemorar.

Que os ares chilenos que sopra hoje nos Andes possam inspirar outros ares na América Latina, sobretudo, o Brasil, que desde 2016, tornou-se tão injusto, tão desigual, tão desumano. A mobilização e a luta popular sempre podem alterar a correlação de forças, tanto na política, quanto na economia.

 

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