A dimensão da vitória de Lula nessas eleições é impressionante. O mundo parece ter adotado o “L”, feito com os dedos das mãos, como um novo símbolo de resistência e de luta contra o fascismo e o imperialismo. Como era antigamente o braço erguido e o punho fechado.
Militantes e populares argentinos, mexicanos, paraguaios, bolivianos, venezuelanos, além de franceses, ingleses, espanhóis, portugueses e palestinos, entre outros países, saíram às ruas para comemorar a vitória exibindo o “L” com as mãos e parabenizando o povo brasileiro por derrotar a extrema-direita.
A vitória de Lula derrotou tudo o que há de mais tóxico na política brasileira; a coalizão política de forças de direita e da extrema-direita pró-fascismo encrustadas no Congresso Nacional, nos governos estaduais (Tarcísio de Freitas é um deles), e muitos prefeitos; parte do judiciário; o deplorável “mercado” nacional; parte da mídia conservadora; as bigtecs; a política internacional de Donald Trump; o chamado “evangelistão”; os sionistas e a escumalha ignorante bolsonarista espalhada por toda parte.
De fato, o Brasil e o brasileiro deu o recado ao mundo; “somos soberanos e não cabemos no quintal de ninguém”.
Do outro lado, não se podia esperar algo diferente do que a mentira contumaz e a fuga nos momentos mais críticos. E com ar de malandragem pura! Bolsonaro e todos aqueles envolvidos tramaram a fuga, dias antes do acontecido. Flávio enganou a Polícia Federal fazendo crer que já estava fugindo horas depois do fim das eleições, quando na verdade, só saiu escondido pela fronteira da Argentina, ontem, dia 27, à noite. O avião que o conduziu para os EUA fez escala no Equador. Esse acobertamento todo precisa ficar bastante claro. E por que fugiu? Porque estava sendo investigado por inúmeros crimes e sem o foro privilegiado, certamente, seria preso. Isso explica que no dia 23, dois dias antes das eleições, Eduardo Bolsonaro (fugitivo nos EUA), sugeriu ao irmão sair do país, caso perdesse as eleições. E explica também o pedido do Ministro Alexandre de Moraes para retenção dos passaportes de Flávio.
O fato é que a direita brasileira tradicional (inclui-se aí o “deus mercado”), precisa compreender que a violência e a assombrosa incompetência dos Bolsonaro e seus seguidores é uma mistura letal que coloca em perigo a democracia, a soberania nacional, a economia e a política de modo geral. Enquanto isso não acontecer, o Brasil estará em perigo.
A nova composição do Congresso Nacional é preocupante: no Senado temos 81 cadeiras, das quais 48 são ocupadas pela extrema-direita. Na Câmara Federal, das 513 cadeiras, a extrema-direita ocupa 303, o chamado Centrão tem 86 e a esquerda, 124. Lula precisará ser muio mais hábil no quarto mandato “como nunca antes na história desse país”.
Conclusão, o povo precisará ocupar as ruas mais uma vez e com mais constância. É preciso muito alerta. Agora, mesmo, um grupo de bolsonaristas estão liderando uma campanha para que empresários e comerciantes demitam funcionários que tenham votado em Lula ou que a população deixe de consumir produtos de estabelecimentos que apoiaram Lula nas eleições. O Ministério Público já está de olho.