Em entrevista concedida ao nosso mandato e transmitida pelas redes sociais na quinta-feira (16), o ex-senador e ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante, apontou as causas do empobrecimento da população brasileira e o retorno da fome na mesa de milhões das famílias no governo Bolsonaro.

Economista formado pela USP explicou como será possível o Brasil voltar a ter crescimento econômico com distribuição de renda e inclusão social, superando o cenário de destruição da indústria nacional e a retirada de direitos trabalhistas. Enfatizou como a Petrobras é importante ao País para que sua eficiência como empresa pública se reverta a favor dos interesses populares e não somente para remunerar os seus acionistas.

Preocupado, apontou que o cenário econômico para 2022 não é dos melhores, pois se prenuncia grave crise energética e que os cortes de investimentos no orçamento deverão penalizar ainda mais a população vulnerável.

“Lula sempre afirma que o sucesso dos governos do PT é colocar os pobres no orçamento. Isso significa colocar o Estado para alavancar o desenvolvimento com investimentos públicos. Significa que o povo terá café da manhã, almoço e jantar. É o que Biden está fazendo nos EUA com investimentos de U$ 6 trilhões injetados na economia para sair da crise, além de vários países europeus e a China, mas os neoliberais do Brasil não se corrigem”, disse. Mercadante foi ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Educação.

Estudos citados por ele indicam que o Brasil deve crescer 1% este ano e a metade desse índice em 2002. “Desde 2016 quando o golpe depôs a presidente Dilma a renda caiu em média 9% e 21% para os mais pobres que não conseguem comprar alimentos. Temos 63 milhões de pessoas endividadas e com os aumentos dos juros pelo Banco Central elas se endividam ainda mais”, comentou. “Não temos consumo das famílias e não tempos demanda interna. O Bolsa Família está há seis anos sem reajuste. E só pensam em cortes. Cortaram R$ 40 bilhões do SUS e não projetaram verba para compra das vacinas para próximo ano”, comentou.

Desemprego recorde

Indagado sobre o quadro que o PT poderá encontrar, Mercadante lembrou o cenário de 20 anos atrás. “Teremos muito trabalho para arrumar o País. Em 2003, encontramos um País extremamente endividado, sem recursos em caixa para as contas externas e com inflação de 17%. Conseguimos superavit nas contas e reduzir a dívida pública com o País crescendo. Abrimos mercados externos, fizemos investimentos pesados em agricultura familiar e ampliamos estoques reguladores de produtos agrícolas. A Petrobrás atuava para que os lucros tornassem o combustível e o gás de cozinha mais baratos e não como é hoje com preço do petróleo internacional cotado em dólar para obter mais lucros e remunerar os acionistas. A Petrobrás era responsável por 17% dos investimentos”, afirmou.

Para o ex-ministro, essa fórmula do neoliberalismo não deu certo lá atrás e não vai tirar o País do buraco agora. “Impuseram o teto de gastos e várias reformas, mas o desemprego bate recordes. Essa terceira via não tem projeto para o Brasil. Os ricos têm que pagar mais impostos. Temos que ter força no Congresso Nacional elegendo grande bancada do PT e de partidos alinhados ao projeto de desenvolvimento econômico, com soberania e inclusão social”, acrescentou

Mercadante encerrou conclamando a todos para mobilização marcada para dia 2 de outubro pelo Fora Bolsonaro. “Precisamos de grande manifestação contra um governo negacionista da ciência e agora descobrimos com a CPI no Senado que é também ‘negocionista’ de vacinas”, declarou.

Autor
Juliana Cardoso - Vereadora da cidade de SP. De origem indígena, nasceu e foi criada na periferia da Zona Leste. Iniciou sua militância nas Comunidades Eclesiais de Base, na Pastoral da Juventude. Seu mandato é um instrumento da luta dos movimentos sociais e sindicais com a defesa dos interesses das trabalhadoras e dos trabalhadores. Atua em várias frentes como o fortalecimento do SUS, a luta por moradia digna, a defesa dos direitos das mulheres e integra a Brigada pela Vida de São Paulo.
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