Impulsionada pela eleição de Bolsonaro à Presidência da República, a onda conservadora e fundamentalista utiliza as redes sociais para massificar agressões e espalhar inverdades.  

Desta vez, os profissionais de educação e o projeto político e pedagógico da EMEI Monteiro Lobato, situada no bairro de Higienópolis, na região central da cidade de São Paulo, são os alvos dos ataques desferidos por grupos conservadores.

Vídeos editados com montagens e manipulações estão sendo divulgados nas redes sociais de determinado pastor de igreja evangélica. As postagens promovem desinformação, medo e pânico moral utilizando da falácia da ideologia de gênero para confundir a população.

A repercussão das postagens nas redes sociais atingiu 5,3 mil visualizações e 586 comentários até o dia 12 de agosto. As informações disseminadas têm provocado ameaças por telefone e até mesmo visita da Polícia Civil à escola, assim como denúncia na Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.

A EMEI Monteiro Lobato desenvolve um trabalho importante ao promover uma educação inclusiva, antirracista e que preza pelo respeito à igualdade de gênero. O trabalho desta escola deveria ser motivo de orgulho dos cidadãos e cidadãs paulistanas. 

A concepção de educação de qualidade está respaldada no respeito à igualdade de gênero e o enfrentamento à violência contra todas as pessoas, bem como o combate ao racismo.

Ademais, o Projeto Político Pedagógico da EMEI está em consonância com o currículo da cidade, bem como a outros ordenamentos jurídicos, de alcance internacionais e nacionais como a Lei Maria da Penha.

Não é de agora que esses grupos ultraconservadores têm utilizado a luta pela igualdade de gênero como instrumento de disputa política.

Em 2015, enfrentamos na Câmara Municipal esses grupos na discussão do Plano Municipal de Educação. Essa ofensiva ultraconservadora tende a ganhar força e aumentar de intensidade podendo atingir outras unidades educacionais.

Por isso, é extremamente preocupante o silêncio da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Segundo relatos, somente na quarta-feira (18) a pasta entrou em contato com a direção da escola.

Além da nossa solidariedade e do nosso respeito ao trabalho da EMEI Monteiro Lobato, havíamos enviado ofício à Secretaria Municipal de Educação, na pessoa do seu titular Senhor Fernando Padula Novaes, para a pasta se manifestar.

É necessária posição oficial da Prefeitura em defesa da escola, da educação pública de qualidade e do compromisso com a igualdade de gênero.

É o mínimo que podemos esperar para dar segurança aos nossos educadores e pais dos alunos. É necessário proporcionar tranquilidade à comunidade escolar da EMEI Monteiro Lobato.

Isso porque toda educação e a luta histórica pela igualdade de gênero na cidade de São Paulo estão sob ataques. 

Autor
Juliana Cardoso - Vereadora da cidade de SP. De origem indígena, nasceu e foi criada na periferia da Zona Leste. Iniciou sua militância nas Comunidades Eclesiais de Base, na Pastoral da Juventude. Seu mandato é um instrumento da luta dos movimentos sociais e sindicais com a defesa dos interesses das trabalhadoras e dos trabalhadores. Atua em várias frentes como o fortalecimento do SUS, a luta por moradia digna, a defesa dos direitos das mulheres e integra a Brigada pela Vida de São Paulo.
Artigos publicados