Não é o PT e nem a CUT quem está falando. É a própria campanha e o programa de governo de Flávio Bolsonaro que diz: o programa econômico de Javier Milei, presidente da Argentina, é modelo e uma inspiração para se adotar no Brasil.

Quem disse isso, especificamente, foi a coordenadora do programa econômico do candidato, Daniella Marques. “É um ótimo exemplo”, defendeu a economista, que pretende adotar medidas de desregulamentação, corte de gastos e redução de impostos, caso Flávio Bolsonaro ganhe as eleições.

O fato é que, se olharmos com atenção o que diz o noticiário, veremos que a economia da Argentina encolher 0,65% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano. O consumo privado caiu 2,4%, o consumo público recuou 2,3% e o investimentos diminuiu 0,8%.

Esta semana, a imprensa noticiou que 31,3 mil empresas fecharam as portas na Argentina. São 245 mil empregos formais encerrados, em 31 meses. A informação é do Monitor Mensal de Empresas, da Fundar, centro de pesquisa do país e do Centro de Economia Política Argentina (Cepa). Aproximadamente 8% da população economicamente ativa argentina está desempregada.

A inflação bateu 33,5%, em agosto, e parece estabilizada. No entanto, à custa de corte dos investimentos públicos, dos empréstimos bilionários com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e de uma moeda sobrevalorizada. Para o professor de economia da FGV, Paulo Gaia, a moeda sobrevalorizada ajuda a combater a inflação, mas detona o setor industrial. A dívida externa do país está em U$ 350 bilhões, aponta o economista. Os salários reais ainda são menores do que quando Milei assumiu o cargo.

Adivinhem quem apoia tudo isso? O mercado argentino e Flávio Bolsonaro.