É inacreditável o esforço que a mídia corporativa faz para tentar desacreditar o eleitor progressista, desmotivar a campanha pró-Lula e em favor de Flavio Bolsonaro, o terrivelmente envolvido no escândalo do Banco Master, entre outros de igual calibri.

A pequisa Quaest por exemplo, que insiste em apontar um “empate técnico” entre ambos, parece tentar fazer o povo de burro. Evidente que há problemas graves em seus números.

Aliás, aí reside o grande problema. Distintos critérios de ponderação, o que causam variações significativas nos percentuais de intenção de voto; a discrepância entre as perguntas espontâneas e estimuladas, que alimenta debates sobre a indução de respostas pelo formato do questionário; e a mostragem sistemática do “empate técnico” na margem de erro. São métodos que fortalecem o ceticismo público quanto à real capacidade de prever o vencedor no limite da margem estatística.

Esses fatores causam uma falsa percepção da realidade. O que se vê, no entanto, é o povo progressista indo às ruas em todo o Brasil, inclusive em Santa Catarina, reduto do bolsonarismo mais radical possível. Enquanto há um evidente esvaziamento do outro lado.

Sou pesquisador há mais de 20 anos e conheço como se dá na prática essa “jogada” de 3% para cima ou 3% para baixo na margem de erro. Para exemplificar a minha indignação, vou citar duas eleições em que as pesquisas influenciaram diretamente em seus resultados. A primeira, a de 1998, para o governo do Estado de São Paulo e, a de 2012, para a Prefeitura de São Paulo.

Em 1998, a então candidata do PT, Marta Suplicy, ao governo do Estado, foi vítima do “voto útil”. Tanto que, alguns petistas mudaram seu voto em favor do candidato do PSDB, Mário Covas, com a desculpa de que, num eventual segundo turno, “não teriam em quem votar”, já que as pesquisas colocavam dois candidatos de direita, Paulo Maluf e Franciso Rossi, no segundo turno.

A pesquisa DataFolha, às véspera daquela eleição dizia que Maluf tinha 31% das intenções de voto; Rossi, 18%; Mário Covas, 17% e Marta, 15%. Resultado, Marta Suplicy ficou em terceiro lugar e não foi ela para o segundo turno por míseros 35 mil votos, aproximadamente. Maluf (PPB) e Covas (PSDB) foram. O candidato Francisco Rossi (PDT) sempre esteve, na verdade, em quarto lugar, bem distante de Marta.

Já em 2012, para a eleição à Prefeitura dda cidade de São Paulo, as pesquisasm colocavam o então candidato do PRB, Celso Russomanno, em primeiro lugar. O candidato do PSDB, José Serra, em segundo, e o candidato do PT, Fernando Haddad, em terceiro.

Resultado, Serra e Haddad ficaram empatados e foram ao segundo turno. Celso Russomanno ficou de fora.

O DataFolha divulgou, novamente, às vésperas das eleições, um “triplo empate técnico”; sendo Serra em primeiro com 28%, Russomanno, em segundo, com 27% e Haddad, em terceiro, com 24%. Com margem de erro de 2 pontos percentuais, os três estariam “empatados”. Advinhem. Haddad foi eleito no segundo turno.

Professor Rosilei Júlio Duarte