Quando se descobre que está gravida você percebe que são dois seres num corpo e sua vida passa a ser planejada para ambos. É algo visceral sentir aquele ser tão pequenino crescer, se mexer, tomar forma, sentir o batimento do seu coração, seu soluçar e seu tranquilizar...

Depois de alguns meses vivendo com esse ser que se mistura com você, ele dá um sinal que já é hora de sair do aconchego maternal e enfrentar a vida do lado de fora do seu corpo. É a hora do parto, a primeira separação, mas a mãe não se dá conta do corte umbilical, afinal esse ser que faz parte do seu íntimo será amamentado. O pequeno continua sendo uma extensão do seu corpo, uma vez que, passa grande parte do tempo grudadinho no seio, ligado ao mais íntimo da mãe.

O período de amamentação é mágico, não tem como descrever amamentar um filho, o afeto, o apego, os olhares, o tempo, os espaços, os cheiros, mas esse tempo acaba e o desmame é a segunda separação, mas a mãe não percebe, pois por muitos anos a dedicação será total. Planejar a alimentação, levar para a escola, ensinar tudo que você acredita, dar banho, arrumar, levar para todos os lugares, ler, cantar, brincar, passear, viajar, é uma vida compartilhada com esse pequeno que aos poucos sai da infância, de um dia para o outro, e se torna um jovem, uma mocinha, ou um mocinho.

A juventude é bem animada, festas, vestibulares, trabalhos de escola, formaturas, aulas de inglês, judô, jazz, teclado, estágios. É um movimento permanente. Seu filho começa a dar sinais que já não precisa tanto de você, mas a mãe não se dá conta e continua se achando imprescindível na vida do filho.

É neste instante que descobrimos que o filho está formado, às vezes, com seus companheiros ou companheiras e já conseguem viver muito bem sem seu olhar maternal e intenso. Os seus filhos são do mundo e você volta a ser um ser humano único, o cordão foi cortado.

Nessa fase da autonomia dos filhos, já temos outras pessoas que precisam de nossas mãos; são os nossos pais que se tornam as nossas crianças, precisam do nosso carinho, do nosso olhar, abraços, beijos, atenção, colo. Ser mãe é ser filha também.

E na partida dos nossos pais, no ciclo maravilhoso da vida, recebemos um presente maior, um neto. O amor mais tranquilo que as tardes de domingo, mais profundo do que o oceano e mais gostoso do que bolo mousse de chocolate... esse amor vem das entranhas do seu maior amor, vem dos seus filhos.

Ser mãe é simplesmente amor, é ter as mãos dadas a vida toda.

* Silvia Cardenuto é coordenadora da "Brigada pela Vida", na Zona Norte.

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