As comunidades escolares de diversas as EMEFMs de São Paulo foram surpreendidas por uma proposta de reorganização escolar da Prefeitura para 2027, que ameaça extinguir o Ensino Médio na rede municipal, fechar turmas e precarizar os projetos pedagógicos, além do trabalho docente. Um projeto com ares da reorganização de Alckmin e Padula na Rede Estadual em SP em 2015. Diante desse ataque, é preciso unificar estudantes, famílias e educadores, exigindo que os sindicatos convoquem assembleias e organizem um plano de lutas imediato para barrar esse desmonte da educação pública!

As comunidades escolares das Escolas Municipais de Ensino Fundamental e Médio (EMEFMs) de São Paulo foram pegas de surpresa nas últimas semanas, sendo informadas por suas direções de que as respectivas Diretorias de Ensino (DRE) de cada região gostariam de fazer uma “consulta” sobre a possibilidade de implementarem uma reorganização escolar para o ano de 2027. Essa reorganização ameaça a existência de ensino médio na rede municipal, a estabilidade funcional de muitos servidores, e é mais um passo em direção à privatização da educação.

São menos de 10 escolas municipais que hoje possuem Ensino Médio em São Paulo, fruto do desmonte e precarização da educação nas mãos de governos que rifam este direito em prol do avanço da iniciativa privada. Estes raros modelos de escolas na prefeitura, que se vêem agora ameaçadas, possuem propostas pedagógicas próprias que não se encontra em nenhum outro tipo de escola pública: nelas estudantes podem completar todo ciclo fundamental e médio na mesma escola, desenvolvendo laços mais profundos com a comunidade escolar, com irmãos de diferentes idades na mesma escola e, por vezes, pais que à noite participam da educação para jovens e adultos ou português para imigrantes. São escolas que contam com projetos especiais oferecidos à população e com atendimento especializado para pessoas com deficiência, construídos como referência nessas comunidades ao longo de muitos anos e que agora estão sob risco de perder seu ensino Médio, ficando com só o ensino Fundamental I em determinadas unidades, enquanto em outras ficariam apenas o ensino Fundamental II e o Médio. Este reordenamento camufla a redução de turmas, a precarização e a perda de postos de trabalho.

Tal medida na prática significará um isolamento ainda maior e mais um passo para a extinção do Ensino Médio nas poucas escolas da rede municipal em que essa modalidade de ensino ainda existe. Isso representa um avanço contra a identidade e o projeto político pedagógico construído ao longo de décadas nessas unidades, assim como ameaça o emprego de diversos educadores, inclusive os que possuem estabilidade funcional por serem concursados.

Extinguir o Ensino Médio e avançar nessa reorganização significa alterar do dia para a noite a vida de centenas de crianças e adolescentes de cada unidade. Sem o debate verdadeiramente democrático entre educadores e a comunidade escolar, as supostas consultas são na verdade imposições do governo de Ricardo Nunes, produzindo importantes impactos para a vida e educação dos alunos e da comunidade, na medida em que muitas vezes passarão a ter que se deslocar para escolas mais distantes, alterando as turmas, colegas, educadores e o ambiente das crianças e jovens abruptamente.

Além disso, essa medida segue o que aconteceu em 2015 na rede estadual de educação, nas mãos do então governador Geraldo Alckmin: corte de verbas para precarizar ainda mais a educação e abrir espaço para a iniciativa privada avançar. O que está por trás dessa reorganização e extinção é desmontar a educação pública, fechando escolas, demitindo educadores, assim como trabalhadores terceirizados das escolas, superlotando salas de aula com o remanejamento de alunos.

Essa notícia disfarçada de “consulta” gerou forte preocupação entre as comunidades escolares que podem ser impactadas, rechaçando amplamente a possibilidade de uma “reorganização escolar” na versão paulistana. Dessa insatisfação temos visto e acompanhado o início de um movimento de unidade de trabalhadores da rede de ensino junto às comunidades escolares que pode apontar caminhos contra os ataques privatistas de Ricardo Nunes na prefeitura de São Paulo. As comunidades têm se articulado através de reuniões, abaixo-assinados, panfletagens, dentre outras ações, com previsão de mobilização de rua aglutinando diferentes escolas com apoio da população.

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