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A notícia de que o apresentador Fausto Silva, o Faustão, teria furado a fila do SUS para realizar o transplante de coração é equivocada e vem gerando muita mentira, principalmente entre os divulgadores das redes bolsonaristas, e reascende lendas urbanas sobre a questão da doação de órgãos.

Em entrevista ao site The Intercept Brasil, o médico Pedro Carvalho, com 10 anos de experiência nessa área, explica que o apresentador Fausto Silva passou por um transplante de coração neste domingo, 27, no Hospital Albert Einstein. Ele ocupava o segundo lugar na lista de espera por um coração, segundo a Central de Transplante do Estado de São Paulo. Segundo o médico, o apresentador não furou a fila de transplante.

E, para evitar a propagação de mentiras e esclarecer de vez comentários equivocados, o Dr. Pedro Carvalho ponderou que:

1- o Brasil tem o maior sistema de transplante do mundo. Todo no SUS;  

2- "Fila" é um termo inadequado. "Lista" é melhor. Por quê? Porque há uma série de critérios para se transplantar e a gravidade do paciente é o maior deles. Alguém que morrerá iminentemente sem o transplante será transplantada antes de uma pessoa mais antiga na lista. Além disso, o doador pode não ser compatível (grupo sanguíneo, painel de anticorpos) com uma pessoa e aí vai rodando a lista até achar um receptor. Claro que para pacientes em mesma situação clínica, o tempo de espera é, obviamente, um fator de decisão;

3- A documentação do processo de doação é extremamente rígida: há cópias das equipes que conversam com familiares e das centrais estaduais e nacionais. Há testemunhas, cópias de documentos pessoais, etc. A família é colocada a par de tudo;

4 - A doação é anônima: uma família que opta pela doação, não sabe para quem vai doar. Isso garante a segurança dela e, principalmente, do receptor. Há como descobrir quem recebeu? Sim, mas não pelo sistema de transplantes;

5- Condições clínicas do receptor interferem na possibilidade de doação. Uma pessoa pode estar tão grave que não tem condições para suportar a cirurgia;

6- Existem muitas lendas urbanas sobre doação: pessoas encontradas mutiladas com órgãos retirados para doação são mitos. O processo só tem condições de acontecer em ambiente hospitalar;

7- Não façam ilações (mentiras) ou acusações irresponsáveis de furação de filas ou interesses escusos. É um processo extremamente delicado com profissionais que desgastam muito física e mentalmente para uma única doação acontecer (imagina trabalhar só com isso);

8- Apesar de ter o maior sistema do mundo, o Brasil  tem número de doadores muito aquém do necessário e essas acusações interferem muito no processo de doação.

9- Importante: falem com suas famílias sobre seu desejo de ser doador, caso o pior aconteça. Não precisa assinar documento. No Brasil, a família tem a decisão final, mas normalmente respeita-se a decisão da pessoa falecida;

10- Por fim, um exercício de empatia após ouvir muita gente dizer: "não quero doar pois pode haver muita coisa errada no sistema". Ponha-se no lugar do outro: se fosse você, precisando de um órgão para ficar vivo, tenho certeza absoluta que esperaria muito o "sim" de alguém à doação.

O site do Ministério da Saúde traz a informação que, entre 19 e 26 de agosto deste ano, foram realizados 13 transplantes de coração no país, sendo sete no estado de São Paulo.  No primeiro semestre, foram realizados 206 transplantes, o que representa um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado.

A lita para transplantes é única e vale tanto para os pacientes do SUS quanto para os da rede privada.

Com informações do The Intercept Brasil e Ministério da Saúde


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