No exato instante em que o presidente Lula concedia entrevista exclusiva à TV 247, na qual fez críticas às taxas de juros impostas pelo Banco Central, a Central Única dos Trabalhadores e demais centrais sindicais foram às ruas para protestarem contra a taxa básica de juros (Selic) de 13,75% ao ano.

Lula classificou a taxa como “absurda” e uma “irresponsabilidade do Banco Central”, em momento em que não existe no País crise ou excesso de demanda e 33 milhões de pessoas passando fome e desemprego. “Não há nenhuma razão, explicação e lógica. Só quem concorda com juros altos é o sistema financeiro”, disse o Presidente. Para Lula, o presidente do Banco Central, Campos Neto, “não tem compromisso com a lei”. “A lei que foi aprovada da autonomia do Banco Central é preciso cuidar da responsabilidade da política monetária, mas também é preciso cuidar da inflação, do crescimento, coisa que ele não se importa”.

Já no ato das centrais sindicais realizado em todo o país contra a taxa extorsiva de juros, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, ressaltou que um dos objetivos dos trabalhadores que lutaram para eleger Lula é a imediata mudança nos rumos da política monetária que “só privilegia aos mais ricos”, disse. O sindicalista afirmou que a eleição em outubro do ano passado foi para mudar o país com mais emprego, transporte e segurança, mas que com a atual taxa de juros, isso não será possível.

A CUT e as demais centrais sindicais reivindicam a participação de representações de trabalhadores no Copom. “Lá só tem banqueiro e nós queremos fazer parte desse conselho”. A visão de Brasil deles e a economia deles foram derrotadas em outubro. Têm que ter vergonha na cara, pegar o boné e ir embora”, disse. O mandato do presidente do BC, Campos Neto, indicado por Bolsonaro, termina em 31 de dezembro de 2024.

O Conselho de Política Monetária (Copom) anuncia no início da noite desta quarta-feira, 22 de março se mantem ou altera a taxa de juros. É bom ficar de olho.


 

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