Estamos no final do ano, mas o governo Doria/Rossieli não para de produzir fatos que merecem nossas críticas e questionamentos.

Vocês acreditam que, em plena pandemia, e num momento no qual se avolumam preocupações das autoridades sanitárias em todo o mundo com o avanço da variante Ômicron do novo coronavírus, a Secretaria da Educação vai reunir milhares de estudantes com Rossieli e Doria no parque de diversões Hopi Hari, em 16 de dezembro?

Qual é a finalidade desse encontro? Por que está sendo realizado com tanta urgência? Por que foi escolhido o Hopi Hari? Houve alguma licitação, algum processo transparente de escolha? Como será financiado este evento? Qual será o critério de participação? São muitas dúvidas. Por isso protocolei na ALESP um Requerimento de Informação dirigido ao secretário da Educação para questioná-lo sobre a realização deste evento.

De acordo com a denúncia recebida pelo nosso mandato popular, conforme instruções recebidas pelos diretores das escolas que possuem ensino médio, cada diretoria de ensino terá uma meta de comparecimento de estudantes.

Na realidade, conforme os denunciantes, o evento tem mesmo como finalidade, como encontros anteriores realizados no Memorial da América Latina e o famigerado encontro de diretores de escolas em Serra Negra: produzir imagens para a campanha eleitoral de 2022, na qual, ao que tudo indica, o secretário da Educação será candidato e João Doria também voltará a concorrer.

Além de inoportuno, pelo momento em que se realiza, o agendamento deste encontro também nos faz lembrar as incontáveis vezes em que o Governo do Estado alegou a necessidade de contenção dos gastos públicos para enviar à ALESP projetos que retiram direitos e para negar o atendimento de reivindicações da comunidade escolar.

Se nossos salários não são reajustados, empresas e órgãos são extintos ou privatizados, contribuições previdenciárias e para o IAMSPE são aumentadas, direitos são cortados e tantas outras medidas restritivas são tomadas, tudo se justifica pela necessidade de conter gastos (apesar dos superávits orçamentários que o governo Doria conseguiu nos dois últimos anos).

Mas para atrair os jovens para um parque de diversões em evento de viés eleitoral há recursos?

Por isso, no Requerimento que protocolei, questiono: Por que a Secretaria da Educação não optou por realizar esse evento pelos meios digitais, resguardando assim a vidas e a saúde de incontáveis cidadãos, e, obviamente, conseguindo significativa redução de gastos públicos?

O secretário da Educação e o governador devem explicações à sociedade, porque a educação pública é um direito da nossa juventude, que não pode ser manipulada por quem quer que seja, sobretudo aqueles que têm a obrigação de gerir o Estado com responsabilidade e transparência.

Autoria
Maria Izabel Azevedo Noronha, é Deputada Estadual pelo PT; Membro da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo; Presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP); Graduada em Letras pela Universidade Metodista de Piracicaba (1985), com mestrado em Administração Educacional pela mesma instituição. Foi Secretária Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); Foi membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) no Governo Lula.
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