Neste dia 7 de setembro o povo que produz todas as riquezas do nosso país vai às ruas para dizer um basta a Jair Bolsonaro e seu governo.

Na data simbólica da independência do nosso país, a classe trabalhadora, a juventude, os estudantes, as mulheres, os negros e negras, a população LGBTQIa+, indígenas, quilombolas e todos os setores oprimidos da nossa sociedade ocuparão ruas e praças em todo o Brasil para dizer não à carestia, à perda de direitos, ao desemprego, fome, miséria, abandono, machismo, intolerância, autoritarismo, violência, desmonte do Estado e dos serviços públicos, corrupção, privatização do nosso patrimônio e tudo que esse governo representa.

Um presidente da República que declara que o povo não deve comprar feijão e sim fuzis, que desdenha do sofrimento de quase 600 mil famílias que perderam seus entes queridos na pandemia - tragédia que poderia ser evitada se o governo tivesse agido com responsabilidade em defesa da vida - não pode continuar governando o nosso país.

Vamos às ruas tomando todos os cuidados necessários, com distanciamento social, máscaras, álcool em gel, mas vamos. Iremos porque não é possível nos calar no momento em que a inflação ameaça retornar à casa dos dois dígitos, corroendo nossos salários congelados, enquanto se revelam a cada dia os gastos extraordinários do presidente e seu entorno e se avolumam evidências de milionária corrupção envolvendo a compra de vacinas e muitos outros negócios feitos à sombra do Estado brasileiro.

Estaremos nas ruas para defender a democracia, constante e grosseiramente ameaçada pelos arroubos ditatoriais de um presidente que jamais poderia ter alcançado a mais importante função política no país, não fosse o conluio criminoso entre a grande mídia e setores do judiciário, do sistema político e das forças armadas para manter preso por absurdos 580 dias o ex-presidente Lula, impedindo que vencesse as eleições.  Além da vergonha de um presidente que alardeia o golpe todos os dias, temos também a vergonha de um presidente da Câmara dos Deputados que mantém bloqueados mais de uma centena de pedidos de impeachment, dando continuidade à tibieza de seu antecessor.

O que nos resta? O brio de sermos brasileiros e brasileiras e não nos furtarmos ao dever de defender a Pátria contra aqueles que a estão destruindo. Para além das cores e dos símbolos pátrios, que jamais poderiam ter sido sequestrados pela verdadeira quadrilha que hoje ocupa parte das estruturas de poder,  o Brasil é substancialmente o seu povo, que hoje sofre as consequências do golpe de 2016. Um golpe que retirou do governo uma presidenta honesta e comprometida com os interesses populares, para instalar um esquema mesquinho que utiliza o Estado para satisfazer interesses de grupos privados, nunca saciados em sua fome de lucros e privilégios.

Outra vergonha é o papel representado pelo governador João Doria, que em nada se diferencia de seu adversário eleitoral ao tentar proibir nossa manifestação na capital, cedendo espaço à gangue bolsonarista.  Doria é cúmplice das privatizações, do desmonte dos serviços públicos, da destruição dos direitos dos servidores e da população. Nosso grito no dia 7 de setembro também será de basta ao BolsoDoria. A história lhe cobrará um alto preço.

Autor
Maria Izabel Azevedo Noronha, é Deputada Estadual pelo PT; Membro da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo; Líder da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; Presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP); Graduada em Letras pela Universidade Metodista de Piracicaba (1985), com mestrado em Administração Educacional pela mesma instituição. Foi Secretária Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE);
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