Mais informações nos chegam sobre o evento de caráter eleitoreiro que o senhor Rossieli Soares, secretário estadual da Educação, promoveu em Serra Negra, no interior do estado, entre os dias 30 de setembro e 1 de outubro, causando a aglomeração de mais de quatro mil diretores de escolas e outros gestores em plena pandemia.

O primeiro esclarecimento a ser feito é que, ao contrário do que diz o secretário, tentando imputar aos diretores e diretoras a responsabilidade pela aglomeração, esses profissionais não compareceram ao evento "porque quiseram". Eles foram CONVOCADOS por meio de publicação no Diário Oficial do Estado.  São servidores públicos e, como tal, cumprem as determinações de seus superiores e têm consciência de que a recusa em atender a uma convocação oficial pode lhes acarretar graves problemas.

Além da publicação no Diário Oficial, durante dias houve pressões diretas sobre os diretores para que confirmassem sua participação. Foram feitas ameaças veladas ou nem tanto.  A responsabilidade integral pelo evento, em todos os seus aspectos, é do secretário Rossieli Soares e por ela responderá em todas as instâncias.

Desnecessário e abusivo, o evento também causou discriminações e constrangimentos, conforme reportagem publicada na revista Carta Capital em seis de outubro e outros relatos de pessoas que estiveram presentes. 

Diretores reclamam de terem ficado até três horas na fila para fazerem check in em hotéis. Relatam também que alguns grupos foram alojados em hotéis cinco estrelas e que os dirigentes de ensino foram hospedados em “hotel chique” juntamente com o secretário e seu staff, enquanto outros tiveram que ficar em estabelecimentos “caindo aos pedaços”.  Dirigentes e assessores da SEDUC faziam suas refeições separadamente dos demais participantes.

Não havia água suficiente para todos e os banheiros disponíveis não atendiam às necessidades das mais de quatro mil pessoas ali presentes, como já se poderia supor. Como um gestor tão competente, como se diz ser o secretário da Educação, não previu essa situação? Talvez por realmente não se importar com essas pessoas, mas apenas com uso das imagens para fins eleitorais.

Os diretores também reclamam que foram desprestigiados e não eram atendidos em suas dúvidas e necessidades. “Quem foi falar com os coordenadores designados pela SEDUC para atender os diretores, não ouviu nem viu nada”, disse uma das participantes, destacando que esse atendimento era demorado, causando a formação de filas enormes e novas aglomerações. Essa mesma participante afirma que não houve transporte e que o custeio da passagem foi condicionado à demonstração de que não havia linha de ônibus direta de sua cidade a Serra Negra.

Estamos vivendo uma das piores gestões da Secretaria Estadual da Educação. Autoritarismo, incompetência, uso indevido de recursos públicos, retrocessos, programas excludentes, retirada de direitos, tudo isso se combina com uma atitude de total descompromisso com o direito à vida, nosso bem mais precioso. Confrontado com suas responsabilidades inquestionáveis, o secretário da Educação tenta culpar as vítimas de suas atitudes. Lamentável.

Autor
Maria Izabel Azevedo Noronha, é Deputada Estadual pelo PT; Membro da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo; Líder da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; Presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP); Graduada em Letras pela Universidade Metodista de Piracicaba (1985), com mestrado em Administração Educacional pela mesma instituição. Foi Secretária Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE);
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