Na quinta-feira, 21 de abril, tive o prazer de acompanhar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à favela de Heliópolis, uma das maiores do país, com mais de 80 mil habitantes, em um encontro com a juventude.

É sempre muito prazeroso ver como Lula interage com pessoas de todas as gerações e classes sociais, e a especial atenção que dedica a dois segmentos pelos quais também tenho carinho particular: os idosos e a juventude. No encontro com jovens de Heliópolis, mais uma vez, ele falou a linguagem da juventude e, sobretudo, abordou os pontos que são de seu interesse, num momento particularmente duro para eles, premidos pela crise educacional e pela falta de oportunidades de emprego, no contexto de uma pandemia que ainda não terminou.

Os jovens, particularmente os jovens negros da periferia, têm sido duramente penalizados pelo avanço do ultraliberalismo no Brasil, sob o comando de um governo federal genocida e antipovo e por um governo estadual igualmente elitista e contrário aos interesses populares. A escola pública está abandonada pelo poder público e serve de laboratório para a implementação de programas educacionais cada vez mais excludentes. O chamado mercado de trabalho oferece poucas possibilidades para essa juventude que, ainda por cima, é vítima constante e preferencial para a discriminação e a violência policial.

Por isso, Lula foi certeiro ao alertar os jovens para o perigo da aversão à política, alardeada por determinados setores da elite brasileira como algo “sujo” ou, por outro lado, a destinação de uma suposta “boa política” apenas para seus próprios membros, como se o exercício da política requeresse formação específica e conhecimento prévio. Lula, ao contrário, exortou os jovens à participação cidadã e ao exercício da política como algo inerente à vida em sociedade.

Assim como o presidente Lula, considero que o exercício da política, em seus mais variados graus e espaços, é um direito, e, mais que isso, um dever de todas e todos que estejam verdadeiramente preocupados em construir um país melhor para a nossa população e para as futuras gerações. Política não é coisa para políticos. Ao contrário, os políticos devem estar a serviço da sociedade, de suas demandas, particularmente dos setores mais vulneráveis da população.

Por isso, dialogar com os jovens sobre a necessidade de que se mantenham conectados que realidade em que vivem e com as possibilidades de mudanças e transformações é essencial. E esse diálogo passa pelo incentivo para que todos e todas as pessoas que tenham idades entre 16 e 18 anos tirem seus títulos de eleitor e participem das próximas eleições. O prazo para essa providência vai até dia 4 de maio.

É importante que essa juventude que aí está tome em suas mãos os destinos do nosso estado e do país e faça a diferença, para que o Brasil possa voltar a sorrir.

Autoria
Maria Izabel Azevedo Noronha, é Deputada Estadual pelo PT; Membro da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo; Presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP); Graduada em Letras pela Universidade Metodista de Piracicaba (1985), com mestrado em Administração Educacional pela mesma instituição. Foi Secretária Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); Foi membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) no Governo Lula.
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