Uma vez tendo decidido sabiamente usar o peso da bancada do Partido dos Trabalhadores no Congresso para desequilibrar a disputa entre as duas direitas, a bolsonarista e a de centro direita, representada pelo Deputado Rodrigo Maia, o PT não conseguiu repetir esta estratégia, até o momento exitosa no Senado.

A atual legislatura do Senado não apresentou nenhum contraponto aos devaneios absurdos do executivo federal, e os diferentes grupos da direita presentes na Casa não demonstram nenhuma intenção de enfrentar  esta morosidade. Os candidatos com chance de ganhar são Rodrigo Pacheco, do DEM,  apoiado pelo atual presidente Davi Alcolumbre do mesmo partido e o candidato ou candidata do MDB que ainda não esta definido.

Não conseguindo arregimentar apoio para uma candidatura mais favorável a oposição, a escolha do PT foi apostar em manter as divisões na direita. Se no passado o centrão foi liderado pelo MDB e a direita liberal pelo PSDB, isso já não existe. O golpe de 2016 e o surgimento do bolsonarismo como sua consequência direta reduziram esses partidos quase pela metade e outras forças de direita começaram a ter maior relevância como o DEM, PSD e em menor escala PP e PL. Esta maior diversidade de partidos com os projetos pessoais de suas lideranças podem atrapalhar a unificação da direita em 2022, com a possibilidade do centrão se dividir em até três candidaturas.

Pensando neste cenário e na máxima “dividir para conquistar” impedir que o MDB, que já terá o apoio do PT contra o Bolsonaro na Câmara, comande as duas casas passou a ser um objetivo válido.  Deste modo temos dois objetivos nas eleições de fevereiro: derrotar o bolsonarismo na Câmara e impedir que um único partido de direita tenha poder suficiente a ponto de conseguir reagrupar toda a direita em um único projeto. Essas considerações explicam porque o PT decidiu apoiar Rodrigo Pacheco, do DEM, para a presidência do Senado

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